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ARTIGO

Aborrecimento
Francisco Rebouças , 09 /01 /2010

Em certas horas, de nossas vidas, geralmente quando menos esperamos, eis que nos acontece alguma coisa, que nos deixa muito aborrecidos. Sem o salutar hábito de meditar, antes de tomar uma atitude, imediatamente reagimos de forma instintiva, de maneira destemperada e desequilibrada, movidos pelo impulso do nosso “amor próprio”, que nada mais é, do que o orgulho que trazemos, bem guardado e cuidadosamente camuflado, que nos faz entender que se o outro não agir ou pensar como nós esperamos que faça, já é motivo bastante suficiente para respondermos de forma deselegante, grosseira, deseducada, e às vezes até mesmo desrespeitosa.

 

É claro, que essa maneira de nos exprimir diante de qualquer que seja a atitude do nosso semelhante em relação a nós, não passa de uma reação equivocada e até mesmo doentia, através da qual, tentamos nos isentar de responsabilidade, atirando a culpa nos ombros do outro, mascarando na verdade o forte poder que o orgulho exerce em nossas vidas.

 

Em nosso interior, dormitam há séculos esses instintos animalescos, que na hora em que temos nossos pontos de vista contrariados, e sem que nos apercebamos, explodem em uma atitude impensada e agressiva, que tentamos justificar atirando a responsabilidade de nosso desequilíbrio, na suposta maneira de como os outros nos provocaram, como se os outros fossem simples marionetes, a repetir as nossas projeções mentais, sem ter o direito de discordar do nosso modo de ver a questão discutida, em que muitas das vezes estamos equivocados, e utilizando-nos de argumentos carentes de fundamento e de bom-senso.

 

Preciso se faz, tentemos assumir desde já, que o problema não está na atitude tomada pelo nosso opositor, em relação ao nosso ponto de vista, e sim, que se trata de um problema exclusivamente de nossa alçada, e que só o extinguiremos de nosso Ser, à medida que, reconhecendo nossa maneira errada de agir, pois nosso semelhante tem o direito de pensar diferente de nós; buscarmos os recursos capazes de nos livrar desse incômodo procedimento, enfrentando de maneira corajosa e honesta nossas próprias fraquezas, tomando por base as lições sublimes contidas no evangelho de Jesus, que há dois mil anos já nos alertava para que “buscássemos enxergar primeiramente a “trave” que nos dificulta a visão sadia das coisas, e só então, prestássemos atenção ao “argueiro” do olho do nosso semelhante”, ensinando-nos a cuidar antes de tudo, do nosso comportamento e não do procedimento alheio.

 

“Para quem está honestamente interessado na reforma íntima, cada instante lhe faculta conquistas que investe no futuro, lapidando-se e melhorando-se sem cansaço”.¹

 

Sendo o orgulho uma das chagas da humanidade, como nos ensinam os Espíritos Superiores, é prudente analisarmos nossas ações, antes de tomarmos qualquer atitude em relação ao procedimento de quem quer que seja, procurando fazer desde já, a necessária e inadiável reforma moral, deixando fluir em nós, as expressões divinas da presença de Deus em nosso Ser, através do cultivo das boas ações, no constante desenvolvimento das virtudes que jazem latentes e esquecidas em nosso mundo interior.

 

1) Divaldo Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis, no livro Vigilância, Cap.11.

 

Publicado inicialmente no Jornal O Clatrim, edição - Janeiro/2010. 

Observações :

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