ARTIGO
Médiuns sim, úteis, talvez!
Francisco Rebouças , 08 /12 /2009
Todos nós somos médiuns, isto é, estamos em constante contato com os seres vivos da espiritualidade, influenciando-os e sendo por eles influenciados. Dessa forma, torna-se imprescindível saber de que forma poderemos tirar o melhor proveito dessa situação de intermediários entre os dois planos da vida que jamais cessa para o Ser, a partir do instante da sua criação.
Isto porque, somos esclarecidos através das obras da codificação do Espiritismo, mais particularmente pelo contido em O Livro dos Médiuns, que esse contato se faz através da mediunidade de que somos portadores, uns em grau mais avançados, isto é, por serem portadores de uma mediunidade mais ostensiva, e outros em grau menos perceptível, em razão do desenvolvimento que cada um haja realizado nas diversas encarnações que tivemos ao longo dos séculos.
Faz-se necessário, portanto, que o interessado busque se empenhar no estudo sério e constante da doutrina espírita, para entender que por mais que estejamos preparados para o exercício decente da mediunidade, ainda assim, estaremos sujeitos a enganos e equívocos, pois, médium perfeito como muitos de nós nos julgamos, ainda estamos bem longe de ser.
“227. Se o médium, do ponto de vista da execução, não passa de um instrumento, exerce, todavia, influência muito grande, sob o aspecto moral. Pois que, para se comunicar, o Espírito desencarnado se identifica com o Espírito do médium e esta identificação não se pode verificar senão havendo, entre um e outro, simpatia e, se assim é lícito dizer-se, afinidade. A alma exerce sobre o Espírito livre uma espécie de atração, ou de repulsão, conforme o grau da semelhança existente entre eles. Ora, os bons têm afinidade com os bons e os maus com os maus, donde se segue que as qualidades morais do médium exercem influência capital sobre a natureza dos Espíritos que por ele se comunicam. Se o médium é vicioso, em torno dele se vêm grupar os Espíritos inferiores, sempre prontos a tomar o lugar aos bons Espíritos evocados. As qualidades que, de preferência, atraem os bons Espíritos são: a bondade, a benevolência, a simplicidade do coração, o amor ao próximo, o desprendimento das coisas materiais. Os defeitos que os afastam são: o orgulho, o egoísmo, a inveja, o ciúme, o ódio, a cupidez, a sensualidade e todas as paixões que escravizam o homem à matéria.” ¹
Precisamos atentar também para o fato de que estagiamos na presente oportunidade em um planeta de provas e expiações, o que justifica a maior incidência da influência dos Espíritos imperfeitos e ignorantes sobre seus habitantes, pois o próprio planeta segue também, como cada indivíduo aqui reencarnado, sua trajetória evolutiva, na escala dos mundos.
O Espiritismo nos chama a atenção para que estejamos sempre em vigília, e em prece, pois, mesmo nos tornando médiuns simpáticos aos bons Espíritos, não estaremos livres da influência e da ação maléfica e enganosa dos maus Espíritos em nossos pensamentos, palavras e atos, conforme esclarecimentos que seguem.
10ª - Se ele só com os bons Espíritos simpatiza, como permitem estes que seja enganado?
"Os bons Espíritos permitem, às vezes, que isso aconteça com os melhores médiuns, para lhes exercitar a ponderação e para lhes ensinar a discernir o verdadeiro do falso. Depois, por muito bom que seja, um médium jamais é tão perfeito que não possa ser atacado por algum lado fraco. Isto lhe deve servir de lição. As falsas comunicações, que de tempos a tempos ele recebe, são avisos para que não se considere infalível e não se ensoberbeça. Porque o médium que receba as coisas mais notáveis não tem que se gloriar disso, como não o tem o tocador de realejo que obtém belas árias movendo a manivela do seu instrumento." ²
Meditemos, pois, em todas as ações que praticamos no dia-a-dia de nossas vidas para observar se estamos sendo veículos do bem, na utilização de nossa mediunidade na Seara de Jesus, ou se, ao contrário, estamos sendo soldados a serviço da sombra, consolidando o império do mal em nossa sociedade.
Que Jesus nos guarde em sua paz, hoje e sempre.
Referências:
(1) O Livro dos Médiuns – FEB - Cap. XX, item 227.
(2) Idem, idem – Cap. XX, item 10.
(3) Grifos nossos.
Publicado em"O Consolador" Revista Semanal de Divulgação Espírita edição 136.
Observações :
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